Lei Global Magnitsky e o Brasil: o que está em debate?

30 de julho de 2025

Lei Global Magnitsky e o Brasil: o que está em debate?

Nas últimas semanas, a Lei Global Magnitsky voltou ao centro das atenções após notícias de que autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF, poderiam ser alvos de sanções internacionais.

Mas o que exatamente é essa lei? E quais os possíveis impactos para o Brasil?

O que é a Lei Magnitsky?
Trata-se de uma legislação norte-americana que permite ao governo dos EUA impor sanções unilaterais a indivíduos estrangeiros envolvidos em graves violações de direitos humanos ou corrupção sistêmica. As medidas incluem:

Congelamento de bens nos EUA;

Proibição de entrada no país;

Bloqueio de transações com empresas americanas.

Desde sua promulgação, a lei já foi aplicada contra autoridades de países como Rússia, Venezuela, Irã e China — inclusive magistrados e membros do judiciário.

O caso brasileiro
No atual cenário, discute-se a possibilidade de que ministros da Suprema Corte brasileira sejam incluídos na lista de sanções. Ainda que não haja confirmação oficial, o tema gera grande repercussão, pois envolve aspectos sensíveis como:

A autonomia dos Poderes;

O princípio da não intervenção;

E o uso de instrumentos jurídicos internacionais em disputas políticas.

O que está em jogo?
O debate não se limita ao mérito de decisões judiciais específicas, mas sim à legitimidade de um país impor sanções extraterritoriais unilaterais a autoridades de outro Estado democrático.

Por um lado, há o argumento da responsabilização internacional por violações de direitos humanos. Por outro, há o risco de tais medidas serem usadas como ferramenta política — o que pode comprometer a estabilidade institucional e as relações diplomáticas.

“A aplicação da Lei Global Magnitsky levanta importantes reflexões sobre os limites da jurisdição internacional e os princípios que regem a soberania dos Estados. Ainda que o combate a violações de direitos humanos seja uma pauta legítima, é necessário que instrumentos como esse não desconsiderem o devido processo legal nem comprometam a independência de instituições democráticas, especialmente em países com sistemas jurídicos consolidados.”
— Gustavo Abib, advogado

A posição da ABIB Advogados
Acompanhamos com atenção o desdobramento desse cenário e entendemos que o debate deve ser guiado por critérios técnicos e respeito aos fundamentos do Estado de Direito.

A aplicação de leis estrangeiras com impacto direto sobre instituições nacionais exige cautela e uma reflexão profunda sobre os limites da atuação internacional frente à soberania constitucional de cada país.

Seguimos à disposição para contribuir com uma análise jurídica responsável e equilibrada sobre o tema.

 

Por Gustavo Abib, advogado tributarista